Noções basicas: como cuidar do bebe prematuro

Noções basicas: como cuidar do bebe prematuro

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Desenvolvimento

Todo mundo torce para o bebê nascer no tempo certo, depois dos nove meses regulamentares. Mas, mesmo com toda a tecnologia da medicina atual, cerca de 7 por cento dos bebês ainda nascem antes do tempo, ou seja, antes de a gestação completar 37 semanas. A boa notícia é que a imensa maioria deles leva uma vida normal, sem nenhuma sequela.

Veja aqui como cuidar do seu bebê prematuro e saiba como seu papel é importante na preservação da saúde e do bem-estar do seu filho.

Artigos

  • Bronquiolite (0 a 1 ano)
  • Como amamentar o prematuro
  • Como cuidar do prematuro em casa
  • Depoimento: Lucca, o amor que chegou mais cedo
  • O bebê na UTI
  • O futuro do seu prematuro
  • O que perguntar aos médicos da UTI
  • Parto em casa: nascimento de um prematuro

Bronquiolite (0 a 1 ano)

O médico disse que meu bebê está com bronquiolite. É grave?

A princípio, os resfriados parecem relativamente simples de tratar. Mas há muitas variações sobre o tema, e a bronquiolite é uma delas. A bronquiolite decorre da inflamação das pequenas vias aéreas dos pulmões (bronquíolos), provocada pelo vírus, agravado pelo acúmulo de muco. Isso dificulta a passagem do ar, causando sintomas parecidos com os da asma.Uma das causas da doença é um vírus chamado sincicial respiratório (VSR), que também pode provocar infecções de ouvido, laringite e até pneumonia. Mas outros vírus também podem causar bronquiolite, como o rinovírus (do resfriado comum), o adenovírus, o influenza (da gripe) e outros.Pesquisas indicam que bebês infectados por esse vírus podem ficar mais suscetíveis à asmae a outros problemas respiratórios no futuro, mas a relação não foi completamente estabelecida.Geralmente, a bronquiolite começa com sintomas de resfriado, e para muitas crianças o vírus acaba não tendo maior impacto do que isso. Para outras, no entanto, sintomas mais leves, como nariz escorrendo, tosse e febre baixa, acabam se agravando e levando a dificuldades para respirar e, às vezes, chiado no peito. Muitos bebês também ficam irritados e inapetentes.

Há bebês que correm mais risco que outros?

Entre as crianças que estão mais vulneráveis a desenvolver uma insuficiência respiratória mais séria por causa do vírus da bronquiolite estão os bebês nascidos prematuros, os nascidos com problemas cardíacos ou pulmonares e aqueles com deficiências no sistema imunológico.Nestes casos, a bronquiolite pode ser extremamente grave e deve ser tratada o quanto antes (os casos mais sérios ocorrem em bebês com menos de 6 meses), no hospital.

O que fazer se meu filho estiver com o vírus?

Assim como os resfriados comuns, não há fórmula mágica ou única para tratar a bronquiolite, mas há medidas simples para deixar o bebê menos desconfortável:• Dê uma boa quantidade de líquidos para mantê-lo hidratado (se ele ainda mamar no peito, amamente com frequência).• Eleve a cabeceira do berço ou da cama colocando uma toalha ou cobertor dobrado entre o estrado e o colchão (não use travesseiros no berço). Ou experimente colocar o bebê para dormir na cadeirinha do carro (se tiver aquelas do tipo que são facilmente retiráveis) ou bebê conforto. A elevação da cabeça facilita a respiração quando o nariz está entupido.• Inalações com soro fisiológico podem ajudar o bebê a eliminar o catarro das vias aéreas. Peça orientações ao seu médico.• Se o pediatra recomendar, dependendo do clima de sua cidade, use um umidificador no quarto para umedecer as vias aéreas da criança e facilitar a respiração. Certifique-se de seguir as instruções de limpeza do fabricante, porque um aparelho sujo só vai servir para espalhar germes pelo ar.

• Mantenha seu filho longe de fumaça de cigarros, tinta fresca, madeira ou lenha queimada, agentes que podem dificultar ainda mais a respiração. A exposição à fumaça de tabaco deixa a criança mais suscetível a um quadro sério de bronquiolite ou a outros vírus respiratórios.

• Se o bebê tem menos de 6 meses, converse com o médico para saber se pode dar paracetamol para diminuir o incômodo físico. Se ele já tiver mais que 6 meses, veja com seu médico qual é a dose correta de paracetamol ou ibuprofeno.

Atenção: Não dê remédios para resfriado por conta própria. Eles podem até parecer ajudar no curto prazo, mas, na verdade, têm potencial para agravar a situação, além de apresentarem efeitos colaterais graves.

Em 2007, a agência dos Estados Unidos que regulamenta remédios e alimentos no país (FDA) emitiu um alerta para que crianças menores de 2 anos nunca tomem remédios para resfriado, a menos que seja prescrito pelo médico, e os próprios laboratórios farmacêuticos alertaram recentemente que é preciso cuidado especial com esse tipo de remédio para crianças de menos de 4 anos.

Como saber se meu filho está bronquiolite e não só um simples resfriado?

Os sinais para ficar de olho são sintomas leves de resfriado que ficam mais pronunciados dias depois, como tosse e dificuldade para respirar. Se seu filho corre mais risco de ter complicações ou se você está na dúvida, o mais sensato é procurar um médico.Esteja atenta aos seguintes sinais de problemas respiratórios e contate o pediatra imediatamente:• Narinas mais abertas e grande expansão da caixa torácica a cada respirada• Pele repuxada ou esticada demais entre as costelas, acima da clavícula ou abaixo da caixa torácica• Contração dos músculos abdominais ao respirar (este e os dois sintomas anteriores configuram o chamado desconforto respiratório. A criança precisa usar demais a musculatura para conseguir respirar)

• Chiado com um som de apito ao respirar

• Tosse

• Falta de apetite

• Lábios e unhas azulados

Há como prevenir a bronquiolite?

O vírus é transmitido através de contato físico, ou seja, circula facilmente em ambientes fechados, berçários, escritórios e até dentro de casa. Ele pode sobreviver por seis horas, então a boa higiene é fundamental para combatê-lo. Lave suas mãos e a das crianças com frequência, e não tenha vergonha de pedir às visitas para que façam o mesmo antes de segurar o bebê.

Não tenha o hábito de compartilhar copos ou talheres com seu filho ou mesmo entre as crianças da família. Um irmão mais velho com sintomas de resfriado pode transmitir o vírus para o bebê.

Muitos médicos recomendam ainda que os bebês tomem a vacina da gripe anualmente, já a partir dos 6 meses de idade. Esta vacina não faz parte do calendário oficial de imunizações do governo brasileiro, portanto é paga e tem que ser tomada em clínicas privadas.

No caso de prematuros ou bebês mais vulneráveis à doença, como crianças com problemas no coração ou doenças pulmonares, o pediatra pode receitar alguns medicamentos feitos com anticorpos sintetizados em laboratório, que protegem contra um dos vírus que causam a bronquiolite, o VSR.

Mas é um tratamento extremamente caro, feito com injeções mensais durante os cinco meses de maior incidência do vírus, e fica reservado apenas para casos especiais.

 

Como amamentar o prematuro

Posso amamentar meu filho que nasceu prematuro?

Sim, é possível amamentar prematuros. Aliás, os prematuros são os bebês que mais se beneficiam do leite materno, pois ele ajuda a protegê-los de infecções.Para a maioria dos prematuros, mamar no peito é um aprendizado gradativo, que pode ser lento. Tudo vai depender do tamanho do bebê e de seu estado geral de saúde.No começo, pode ser que o bebê não tenha força suficiente para sugar o seio. Ele vai precisar de tempo para que sua capacidade de sucção e de digestão terminem de se desenvolver. É possível também que a criança fique muito cansada ao mamar.Mesmo que o bebê não consiga mamar por conta própria, você pode tirar seu leite com uma bombinha ou com a mão mesmo. Procure saber se há um banco de leitena maternidade ou perto dela.Muitas vezes, profissionais do banco de leite orientam as mães de prematuros a ordenhar o leite com frequência para firmar a produção, para quando o bebê já for capaz de mamar sozinho. A estratégia é duplamente benéfica: o leite ordenhado é doado a bebês, muitas vezes prematuros também, cujas mães por algum motivo não puderam ordenhar. E, quando seu filho estiver forte o bastante para mamar, você vai ter bem menos dificuldade de produzir leite para ele.

O que acontece depois que o bebê nasce?

O bebê prematuro não teve tempo, dentro da barriga, de armazenar uma boa camada de gordura para nascer com uma “reserva” de energia. Isso quer dizer que ele precisa se alimentar logo depois de nascer, e a intervalos pequenos. Crianças que nascem no tempo certo podem ficar sem mamar grandes volumes, por conta da reserva calórica, e por isso nos primeiros dias perdem até 10 por cento do peso com que nasceram. O prematuro às vezes não pode se dar a esse luxo.Quanto mais prematuro o bebê for, maior é a probabilidade de você não conseguir produzir leite logo de cara para suprir todas as necessidades dele. Não se desespere, porque isso é esperado. A culpa não é sua, e sim dos hormônios. Procure orientação na maternidade sobre como estimular seus seios a produzir leite.Enquanto isso, é possível que o bebê precise receber algum tipo de alimentação parenteral (pela veia), e depois passe a tomar leite humano doado (vindo do banco de leite) ou então fórmula artificial de leite especial para prematuros.

Por onde começar

Mesmo que o bebê não esteja com você no quarto da maternidade, você precisa pensar logo de cara na amamentação, que vai ser essencial para que ele se desenvolva forte e longe de doenças. O primeiro passo é ordenharo colostro, aquele primeiro leite meio transparente e viscoso que sai do seio. O ideal é que isso seja feito nas primeiras 24 horas depois do parto.Os profissionais de enfermagem e as obstetrizes da maternidade poderão ajudá-la a descobrir como bombear o leite. A ordenha pode ser feita com as mãos ou com uma bombinha (manual ou elétrica). Não tenha vergonha de procurar ajuda. Pode ser que você só “pegue” o movimento olhando alguém fazer.Faça a ordenha com frequência, de seis a oito vezes por dia. No começo não vai sair quase nada, mas não desista. Olhar para uma foto do seu filho pode ajudar na produção do leite. Tente não ficar mais de seis horas sem tirar o leite. Quanto mais regulares forem as ordenhas, maior será a produção.Logo você estará craque na operação e será uma ávida frequentadora do banco de leite. Existem bombinhas elétricas que conseguem tirar o leite dos dois seios ao mesmo tempo! Quanto mais você ordenhar, mais leite vai produzir. Caso a maternidade não tenha banco de leite, consulte a Rede de Bancos de Leite Humano, no site http://www.fiocruz.br/redeblh, ou pergunte no hospital qual é o banco de leite mais próximo, para obter mais orientações.Em algumas cidades, também é possível encontrar bombinhas elétricas para alugar, para facilitar a retirada do leite em casa, quando você já tiver tido alta. Informe-se no próprio hospital.

O leite materno é imprescindível para o prematuro?

Mesmo que você por algum motivo não amamente, o hospital vai fazer o máximo para que seu bebê receba leite humano, usando um banco de leite, por exemplo, já que o leite materno contém ingredientes que não existem em nenhum outro produto. Ele fornece ao bebê, por exemplo, os chamados fatores do crescimento, que ajudam o sistema digestivo a amadurecer.Além disso, é riquíssimo em anticorpos, que protegem o bebê de infecções causadas por vírus e bactérias. Para prematuros, isso é muito importante, porque esses bebês são especialmente vulneráveis a doenças, já que não tiveram tempo de receber grande parte da carga de anticorpos que passam da mãe para as crianças nas últimas semanas da gravidez.O bebê digere melhor o leite materno que a fórmula artificial. Bebês prematuros que tomam leite materno têm uma probabilidade bem menor de apresentar problemas digestivos graves. Há também algumas provas científicas de que o aleitamento contribua para o desenvolvimento do cérebro dos prematuros.Sem contar, claro, o contato e a intimidade que a amamentação proporcionam à mãe e à criança.Vale fazer um esforço, porque, além de tudo, amamentar vai fazer bem para você. A ocitocina, hormônio que é estimulado com a amamentação, dá uma sensação de bem-estar, e a produção de leite ajuda você a perder os quilos da gravidez mais rápido. (Leia mais sobre todos os benefícios do aleitamento materno.)

Para completar, é uma oportunidade de você sentir que está fazendo alguma coisa de verdade para ajudar o seu filho, numa situação em que é comum se sentir impotente.

Mas meu filho ainda nem pode mamar! O que faço?

Você pode perguntar aos médicos se a unidade de tratamento dispõe do método canguru, que permite que o bebê fique coladinho em você, aproveitando o contato com sua pele. Essa proximidade estimula o seu organismo a produzir anticorpos que irão para o leite materno, além de incentivar a própria produção de leite.

Também existe a possibilidade de você ajudar o bebê a treinar o movimento de sucção, oferecendo a ele seu peito vazio, depois de ordenhado o leite, antes ou durante a alimentação dele por sonda. O seio estaria sendo usado nesse caso como uma “chupeta natural”. Pesquisas já mostraram que as chupetas podem ser benéficas para a saúde e o desenvolvimento de prematuros. Usando o seio no lugar delas, cai o risco de haver interferência na amamentação.

Vai chegar o momento de você finalmente poder oferecer o seio ao bebê. No começo, pode ser que ele tome só umas gotinhas, ou só lamba para sentir o gosto do leite. Prematuros ficam cansados rápido, por isso não desanime se as primeiras sessões de amamentação não derem muito certo. Vocês dois vão precisar de prática e muita calma para pegar o jeito da amamentação.

Caso o bebê tenha dificuldade em pegar o seio, você pode discutir com a equipe a idéia de dar o seu leite com um copinho ou uma mamadeira, mas sempre oferecendo o seio o máximo possível. Converse com os profissionais do hospital e do banco de leite, pois eles têm bastante experiência e podem ajudá-la.

Pode acontecer de você não confiar na sua capacidade de amamentar. Dê uma chance, vá experimentando aos poucos, ou então estabeleça para si mesma um prazo pequeno, de um mês, por exemplo. Veja como as coisas caminham. Mesmo que decida parar de amamentar, o pouco de leite materno que seu filho tiver recebido já será extremamente benéfico para ele.

 

Como cuidar do prematuro em casa

Quando meu filho vai poder ir para casa?

O bebê recebe alta quando está se alimentando bem e ganhando peso, sem outros incidentes. Isso pode acontecer mais ou menos quando chegar ao que seria a 36a semana de gestação, ou ele pesar pelo menos 1,75 quilo. Se ele tiver nascido antes de 30 semanas, entretanto, pode ser que só volte para casa na época da data prevista para o parto, ou até mais tarde.É emocionante finalmente levar o bebê para casa, depois de tanta espera. Mas um bebê que tenha passado algum tempo na unidade de tratamento intensivo pode parecer bem frágil, e é normal que os pais fiquem preocupados e temerosos. Sempre que tiver dúvidas, vale a pena procurar a equipe da maternidade ou o pediatra para receber mais orientações e até um treinamento para levar o bebê para casa.

Amamentação

A amamentação é a melhor fonte de nutrientes para o bebê. Dê o peito sempre que seu filho quiser, e acorde-o para mamar se ele estiver dormindo há mais de quatro ou cinco horas, durante a noite. O neném vai precisar das mamadas noturnas para recuperar o tempo perdido.É normal que a criança passe algum tempo no peito só olhando para você, ou “treinando” o movimento de sucção. Com isso, ela estimula a produção de leite, e vocês vão poder aproveitar a tranquilidade de estar em casa, e não no ambiente do hospital.A recomendação oficial do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que todos os bebês sejam amamentados exclusivamente no peito até os 6 meses, e que depois disso o leite materno seja mantido na alimentação até os 2 anos ou mais. Para prematuros, isso é ainda mais importante, portanto vale a pena um esforço extra para manter o aleitamento pelo máximo de tempo possível. O pediatra poderá orientá-la caso você precise voltar a trabalha.

Oxigenoterapia domiciliar

Alguns bebês podem precisar receber oxigênio ainda em casa. Se for o caso do seu filho, você receberá informações dos profissionais do hospital sobre o equipamento.

Como lidar com as visitas

Faça o máximo para não expor o bebês a infecções. Peça aos amigos e parentes que não façam visitas ao bebê se estiverem resfriados, com tosse ou com qualquer tipo de infecção. Se mesmo assim eles vierem, evite que peguem o bebê no colo. Esse cuidado é especialmente importante se a criança não estiver sendo amamentada, já que o leite materno ajuda a proteger o bebê de infecções.

Fumo

A presença de fumaça de cigarro em casa eleva o risco de morte súbita infantil. Bebês de baixo peso ao nascer correm mais risco. Além disso, a fumaça do cigarro aumenta o risco de o bebê ter asma e infecções.

Medidas de segurança

Há várias providências para reduzir ao mínimo o risco de morte súbita:
• Não superaqueça o bebê na hora de dormir. Evite o excesso de roupas.
• Só use mantas e cobertores abaixo da linha da axila, para que o bebê não se enrole neles.
• Ponha o bebê para dormir de barriga para cima.
• Não deixe seu prematuro pular mamadas durante a noite (siga a orientação do pediatra).
• Não deixe ninguém fumar na sua casa.

Cuide de si mesma

Trazer um recém-nascido para casa já não é fácil, com todas as adaptações ao seu novo papel de mãe e à nova dinâmica doméstica. No caso de um prematuro, a dificuldade aumenta, por isso talvez você precise de ajuda.Não vai sobrar tempo para muita coisaBebês prematuros levam mais tempo para diferenciar o dia da noite, principalmente se ficaram internados na unidade de terapia intensiva, e precisam mamar com mais frequência.Isso significa que você vai ter de administrar mamadas a toda hora e padrões imprevisíveis de sono, e conciliar tudo isso com as outras tarefas da casa e possivelmente outros filhos (além da sua necessidade biológica de sono!).Você vai precisar de ajuda e de apoio

Com a vida corrida de hoje em dia, as famílias já não contam com tanto apoio de parentes como antigamente. Se você não tiver parentes que morem perto, aceite a ajuda de amigos. Mães de crianças pequenas serão especialmente compreensivas nessa fase.

Adote precauções extras na hora de contratar uma babá ou de deixar seu prematuro com alguém, pelo menos enquanto ele for bem pequeno. Sempre que for sair, deixe um número de telefone onde possa ser encontrada e o telefone do médico.

O bebê na UTI

Quando as coisas não correm como o previsto, pais e mães são obrigados a tirar forças sabe-se lá de onde para superar as dificuldades. A vida do bebê internado na UTI neonatal é cheia de altos e baixos. São pequenas vitórias e revezes inesperados, seguidos de novas conquistas, enquanto não chega o grande dia: voltar para casa forte e saudável nos braços dos pais.

As sugestões abaixo se baseiam nas orientações da entidade norte-americana March of Dimes, que desde 1938 se dedica ao bem-estar dos recém-nascidos e ao combate à prematuridade.

Não tente ser durona; permita-se chorar

Você tem todo o direito de estar triste e preocupada — e as mudanças hormonais do pós-partocolaboram mais ainda para que a vontade de chorar venha com tudo.Aproveite o colo mais próximo. Se não quiser preocupar mais seu parceiro, ou alguém da sua família, recorra a uma pessoa um pouco menos envolvida, como uma amiga ou amigo. Quem sabe você fique mais leve para continuar dando força ao seu companheiro. E, é claro, para o seu bebezinho, que logo logo não vai mais querer sair dos seus braços.

Informe-se sobre a saúde do bebê

Aproxime-se do pessoal que trabalha no centro de tratamento intensivo e não tenha medo de fazer perguntas. Entendendo melhor a situação do bebê, você vai se sentir menos excluída, e além disso vai poder fiscalizar e auxiliar o trabalho dos médicos e enfermeiros. Eles podem até parecer meio “frios” porque lidam com aquele tipo de situação todos os dias, mas no final das contas o objetivo deles é exatamente o mesmo que o seu: fazer com que seu bebê volte saudável para casa.Na hora de ouvir as explicações, pode ser útil levar outra pessoa, para ajudar a processar toda a informação. Anote durante o dia as perguntas que forem lhe ocorrendo, para não esquecer de fazê-las ao médico na hora da visita. Veja aqui algumas idéias de perguntas.

Participe dos cuidados

Deixe bem claro que você quer pôr a mão na massa para ajudar a cuidar do seu filho: pegar o bebê no colo, dar banho, dar de mamar assim que possível, experimentar o sistema “canguru”. A interação com os pais é benéfica para a criança, e os profissionais do hospital sabem disso.Se você é mãe de primeira viagem, lembre-se de que é 100 por cento normal achar que não vai saber fazer as coisas direito. Mesmo que já tenha filhos, o ambiente da UTI é tão diferente e de certa forma assustador que não é de surpreender que você fique insegura. Peça ajuda aos enfermeiros que tudo vai dar certo.

Crie uma rotina

Procure encontrar uma maneira de coordenar a vida em casa e as visitas ao hospital. Permita-se ir para casa descansar um pouco. Seu bebê precisa de você, mas também é importante que você se cuide, faça companhia a seu parceiro e aos outros filhos, se tiver. Até a sua produção de leitepode se beneficiar disso. O descanso é fundamental porque não dá para saber quanto tempo a maratona de UTI vai durar, e a família acaba ficando emocionalmente esgotada, o que só agrava a situação.Também é bom tentar fazer alguma coisa que goste, como ler, sentar para assistir a um programa de TV ou filme, ou fazer exercícios adequados para o pós-parto. Quem sabe uma caminhada leve no parque ou na praia? Não é questão de se divertir. Sabemos que seu coração vai continuar lá no hospital. É questão de arejar a cabeça. Assim você vai ficar mais forte para acompanhar a jornada do seu bebê até a esperada alta.

Converse com outros pais

Os pais que esperam com você o horário de visitas no centro de tratamento intensivo sabem exatamente pelo que sua família está passando. Troque idéias com eles, faça amizades. Será bom para todos. Vocês podem, por exemplo, fazer favores uns aos outros — buscar uma comida, dar uma carona, passar um recado para alguém. É sempre bom ter aliados no ambiente da UTI.Você também vai acabar conhecendo as crianças internadas e acompanhar as histórias delas — e, tomara, vibrar com cada vitória.

Busque algum conforto

Pergunte se no hospital não há um serviço de psicologia. Ele pode ser de grande valia para ajudar você e sua família a enfrentar a situação. São profissionais treinados para lidar com toda a ansiedade e preocupação dessa hora.A introspecção pode ser positiva também. É normal questionar a fé nessas situações, por isso muitas pessoas se sentem desconfortáveis de pedir ajuda a um líder espiritual desse tipo. Mas não é preciso adotar nenhum preceito de uma religião formal. Talvez você se sinta melhor só de reservar um tempo para si mesma, para pensar, mentalizar, meditar, sejam quais forem suas crenças.Os hospitais costumam ter uma capela ou um local tranquilo, ecumênico, de meditação. Fuja para lá se precisar ficar um pouco quietinha, ou se quiser se concentrar e mandar boas energias para o bebê. Se achar que isso vai te ajudar, converse com o pastor, o padre, o rabino ou qualquer outra pessoa que lhe inspire confiança e paz.

Escreva um diário ou mantenha um blog

Organizar os sentimentos na linguagem escrita pode ajudar você a processá-los melhor. O diário também pode encorajá-la, nas horas de melancolia, pois com ele fica mais fácil lembrar todas as pequenas vitórias que seu filho já conquistou. Você nem precisa mostrar o blog para mais ninguém. Só o ato de escrever talvez já sirva de desabafo, fazendo-a se sentir melhor.

Permita-se ter orgulho do seu filho

É claro que acima de tudo você vai estar preocupada com a saúde do bebê. Mas procure documentar estes primeiros momentos. Daqui a algum tempo, a experiência do hospital vai parecer uma lembrança distante, e você vai gostar de ter as fotos dessa fase.Além disso, você tem direito de se alegrar com o nascimento do seu filho. Pode não ter sido exatamente como você imaginou, mas, mesmo com os tubos e aparelhos, ou sendo bem pequenininho, ele é lindo!

Crie um cantinho especial

Pergunte às enfermeiras e enfermeiros do centro de tratamento intensivo o que você pode fazer para personalizar o cantinho do seu bebê. Dá para colar fotos da família perto dele, por exemplo, ou até levar algum bonequinho, se os médicos aprovarem. Assim o hospital fica um pouco menos impessoal.

Aceite ajuda

A rotina de ir e vir do hospital é cansativa. Nem sempre há o que comer, e as despesas com condução ou estacionamento começam a se acumular. Fora as tarefas da casa, que ficam muito em segundo plano. Quando alguém demonstrar que quer ajudar, aceite. Você pode até especificar alguma coisa, como pedir para a pessoa trazer um lanche, fazer companhia, dar uma carona.Informe-se na maternidade ou no hospital se há algum esquema de apoio aos pais. Às vezes há facilidades como desconto ou isenção de estacionamento, locais para fazer refeições, apoio psicológico etc.Caso tenha outros filhos em casa, será imprescindível recorrer a familiares e amigos. As pessoas que gostam de você vão se sentir melhor de poder oferecer uma ajuda concreta nestes momentos difíceis. Você terá inúmeras oportunidades de retribuir todo o apoio quando voltar à rotina.

Compreenda que seu parceiro vai reagir do jeito dele à situação

Cada pessoa enfrenta os percalços da vida de uma maneira. Talvez seu parceiro fique calado, sem demonstrar os sentimentos. Talvez fique bravo e desconte em alguém. Ou pode ser que fique um caco. Se vocês conversarem um com o outro, vão poder se ajudar para superar esta fase difícil.
Não se culpe de dar mais atenção a um bebê que a outro

 

Se você tem mais de um bebê internado, é compreensível que às vezes precise ficar mais perto de um que do outro (ou outros). Vá tentando conhecer cada um dos seus filhos aos poucos, e, se um dia sentir que precisa dar mais carinho para um, faça isso sem culpa. Peça a outra pessoa que ajude a fazer companhia ao(s) outro(s).

 

O que perguntar aos médicos da UTI

É importante que você compreenda o que está acontecendo com a saúde do seu bebê, não só para acompanhar o progresso dele, mas também para dar sua opinião, fiscalizar o trabalho da equipe, colaborar com os médicos e enfermeiros e defender os interesses do seu filho. As orientações abaixo foram baseadas em conselhos da entidade March of Dimes, criada em 1938 nos Estados Unidos para promover a saúde de recém-nascidos.

Pergunte

É normal ter perguntas e mais perguntas na cabeça sobre o estado do bebê e sobre tudo o que vai acontecer com ele. Mas nem todas as pessoas gostam de ouvir toda a informação de uma vez só. Às vezes pode ser benéfico ir sabendo dos detalhes aos poucos, para conseguir processar tudo.Pode ser que você tenha que fazer as perguntas mais de uma vez. Ou porque não entendeu as respostas da primeira vez (o que é compreensível, porque às vezes os assuntos são complicados e sua cabeça está cheia), ou porque simplesmente não existem respostas definitivas.Use sua curiosidade como guia. Vá anotando as perguntas que tiver, e corra atrás das respostas quando achar que está pronta para isso. Você pode fazer anotações enquanto o médico explica, para rever as respostas depois. Ou pode convidar alguém para ouvir as explicações com você, porque com quatro ouvidos atentos há menos chance de detalhes importantes escaparem.Procure concentrar suas perguntas num profissional específico, de preferência o neonatologista diretamente envolvido no cuidado com o bebê. No centro de tratamento intensivo, você vai ter contato com vários profissionais, entre enfermeiros, auxiliares, plantonistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros especialistas. Se for perguntar tudo a todos, talvez fique zonza com tanta informação.

O que perguntar

• Como o bebê está hoje?
• Mudou alguma coisa no estado dele?
• O que está provocando esse problema?
• Como esse equipamento ou esse remédio vão ajudá-lo?
• Que exames estão sendo feitos, e o que os resultados vão mostrar?
• Que remédio é esse? Para que serve? De quanto em quanto tempo ele é administrado?
• Quem é o responsável pelo atendimento ao meu filho?
• Com quem devo falar se precisar perguntar alguma coisa sobre o estado do meu filho?
• Serei informada se houver alguma mudança no estado do meu filho? Como? Por quem?
• Posso pegar meu filho no colo?
• O que posso fazer para ajudar a cuidar do meu filho?

Faça parte da equipe médica

De cara, tenha como seu grande objetivo manter um ótimo relacionamento com a equipe do centro de tratamento intensivo. Com o tempo, ao passo que vai conhecendo os médicos e enfermeiros, você vai se sentir mais à vontade para falar com eles, expor suas dúvidas e dar sugestões. Peça a eles que a mantenham sempre informada sobre o estado do bebê.Deixe claro que você e seu companheiro querem ser ouvidos se houver decisões importantes sobre o tratamento. Afinal de contas, vocês e a equipe médica têm o mesmo objetivo: deixar seu filho forte e saudável para ir logo para casa.

Prepare-se para a sensação de incerteza

Há certas coisas que são difíceis de ouvir. Mas pode ser ainda pior não saber o que esperar. Procure sentir o que a deixa mais tranquila. Há pessoas que preferem saber todos os detalhes do problema, que estudam as doenças e acabam se tornando experts no assunto. Já outras ficam assustadas com informação demais e preferem confiar apenas no que o médico lhes diz.

O certo é que, no dia-a-dia do CTI, sempre pode haver uma surpresa, agradável ou não. Comemore as pequenas vitórias, e esteja preparada para, a cada dois passos avançados, recuar um. O importante é que, no final das contas, o bebê continue caminhando para a grande meta: ter alta.

 

Parto em casa: nascimento de um prematuro

Tive meu primeiro filho aos 15 anos, mas ao contrário do que vocês estão pensando não foi ele que nasceu prematuro. A gravidez dele foi ótima. Quando ele estava com pouco mais de 2 anos eu engravidei do segundo filho. No começo estava tudo bem, havia os enjoos, muito sono etc.

O susto começou no quinto mês de gestação. Primeiro tive um pequeno sangramento (detalhe: eu trabalhava como salgadeira e mexia massas pesadas,com movimentos que contraíam o abdômen). Liguei para minha mãe e ela chamou uma ambulância, que me levou para o hospital.

O médico disse que era apenas um pequeno sangramento e que já havia parado. Mesmo assim ele decidiu me internar (era pelo SUS). Era uma madrugada de domingo e ele queria que eu fizesse uma eco para verificar se realmente estava tudo bem antes de me liberar.Fiquei lá três dias e recebi alta.

Na semana seguinte, exatamente na madrugada de domingo, senti dores e, como eu já tinha um filho, percebi que eram dores de contração. Achando que iria passar, fiquei quieta e não acordei meu marido. Logo adormeci, pois a dor era fraca.

Quando acordei pela manhã sentia dores fortes. Não eram tão fortes como as de parto, mas eu me desesperei, com medo, porque quando fui me levantar senti uma dor ainda mais forte e um intenso sangramento se iniciou.

Liguei para uma irmã que possui carro e pedi que ela viesse rapidamente, pois eu estava muito mal e precisava ser levada ao hospital. A dor aumentava a cada segundo. Ela chegou rapidamente e me levou para a maternidade. Eu mal podia andar e chorava muito de dor e de medo, pois não sabia o que se passava com o meu bebê.

Fui atendida rapidamente e fizeram exame de toque. O sangue jorrava como se eu estivesse urinando e o médico disse que eu estava em trabalho de parto prematuro, com 24 semanas de gestação. Estava com de 3 cm para 4 cm de dilatação. Medicaram-me para tentar reverter o quadro e tomei uma injeção que me disseram que era muito dolorida mas também muito importante, pois o objetivo era amadurecer o pulmão do bebê.

Graças a Deus naquele dia tudo deu certo, conseguiram reverter o quadro, me recuperei e ganhei alta três dias depois.

Duas semanas se passaram e parecia que tudo corria bem. Eu não estava mais trabalhando e também não tinha relações com meu marido, por restrição médica. Mas, para minha surpresa, esse menininho adorava fazer arte de final de semana.

Era um sábado normal, como outro qualquer: recebemos visita durante o dia e à noite fomos assistir a um filme na sala. De repente, por volta das 23h50, senti uma dor de barriga muito semelhante à de defecar e fui ao banheiro.

No momento em que sentei no vaso sanitário uma dor forte, como se estivesse empurrando tudo para baixo, surgiu. Coloquei a mão para ver se havia sangramento e não havia, mas senti uma coisa visguenta e arredondada. Achei que fosse a cabecinha do bebê. Levantei sem conseguir ficar ereta e disse ao meu marido que chamasse urgente uma ambulância, porque o bebê estava nascendo.

A princípio ele achou que era uma pegadinha, pois eu estivera bem naquele dia, até que veio outra contração e eu dei um grito de desespero: “É sério, eu já sinto a cabeça!”. Ele ficou muito nervoso. Ainda bem que o meu filho mais velho já estava dormindo. Meu marido correu de um lado para o outro, pediu que eu deitasse na cama e saiu para ligar de um orelhão, pois não tínhamos telefone em casa.

Deitei na cama e, no momento em que ele bateu a porta para sair, a bolsa de água se rompeu. O bebê era tão pequeno que saiu junto com a água. Fui me despindo e tirei força somente de Deus para aquele momento. Quando eu o vi, pensei, “meu Deus, que pequeno!”.

Peguei o bebê no colo e ele quase não respirava. Pensava: “Senhor, não tire a vida do meu filho, não enquanto ele estiver nos meus braços”. Eu ainda sentia dor, então fiz força, e a placenta saiu. Meu marido se espantou quando entrou no quarto. Ele havia ligado também para minha mãe, que chegou em seguida.

Quando a ambulância chegou, cortaram o cordão umbilical e levaram o Victor para o oxigênio. Eu me vesti e fui para a ambulância. No hospital fizeram os procedimentos normais de um recém-nascido antes de levá-lo para a UTI neonatal. Ali ele passou 11 dias e foi transferido para outro hospital, onde ficou internado mais 69 dias até receber alta.

Nesse período o Victor teve várias complicações, como infecções e paradas cardiorrespiratórias, mas nada que não pudesse ser superado com fé e amor incondicional.

Hoje o meu pequeno Vitinho, que nasceu com 880g e 34 cm, é uma criança supersaudável e amorosa e, claro, é muito amada por todos. Não deixo de agradecer a Deus por esse presente. Essa experiência só me fez ter mais prazer ainda em ser mãe!

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